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A analogia do avental

“Sinopse”, no dicionário da língua portuguesa, significa “sumário”. “Sinapse” significa “zona entre neurónios, na qual ocorre a transmissão nervosa”. “Avental” refere-se a uma “peça de resguardo”.

Começo pelo avental! Não se trata de uma salada de palavras, ao descaso e sem discernimento. O avental é usado em cozinhas profissionais, mas nas caseiras, não tanto. Podemo-nos perguntar porquê. O avental serve para proteger de salpicos que resultam da preparação de alimentos e, por isso, aceita o que faz parte da sua execução. Se perguntar a um Chef de cozinha, sei que dirá com satisfação que, com o seu percurso, foi verificando que o seu avental foi ficando mais imune desses salpicos porque se foi capacitando, com menor erro, mas, com a consciência que este é a oportunidade de construirmos melhor método de trabalho e, há orgulho em sentir que o topo do topo está por alcançar. A procura pela primazia é o que o estimula. A possibilidade de erro é, em si, o ensejo para o cérebro criar novas sinapses para melhores caminhos, resumindo-se, depois, numa melhor sistematização de passos, como se de uma receita ou de uma sinopse se tratasse. O avental é ou não é um instrumento audaz? Porquê não o querer usar na cozinha de casa com receio de o sujar e para depois termos que o lavar? Além do receio do erro, temos o receio do dever ou do sentido de responsabilização?

Como nutricionista – e enquanto pessoa e humana (pressupondo-se aqui que são conceitos indissociáveis), trago esta analogia para o receio que os pacientes têm. Digo, em consulta, que não interessa identificarmos onde erramos. Não estou à procura disso e procuro que o paciente compreenda e se liberte disso: da procura pela falha, pelo julgamento e auto-julgamento como se procurassem nódoas num avental. Não é expectável querermos ou desejarmos encontrar, em nós ou nos outros, as “nódoas“ que existem ou que sejam inventadas. Nós somos pessoas e humanos! O encanto que podemos encontrar ao compreendermos que o equilíbrio faz parte da natureza! A postura é uma questão de escolha.

Já em funções de liderança de projetos, trago também esta analogia, a do avental. Ninguém passa a ter estas funções do “dia para a noite“. Quem passa a ter estas obrigações não é por acaso e demora tempo (anos!). É uma conquista mas não se entrega a qualquer vaidade ou capricho, nem usa como uma forma de statement. Não tem essa necessidade. Um líder (que sabe ser líder) é, por natureza, uma pessoa humilde e, mentalmente forte porque não se ilude na ideia de que podemos preparar uma “sinopse“ com atalhos. Para se criar uma sinopse, são precisas muitas “sinapses“ e um avental vestido com muita mestria. A vida de cada um é, também em si, uma visão de empresa. É tudo uma questão de escolha. Um avental é um instrumento de trabalho e, sem dúvida, que complementa, que completa. Um Chef de cozinha continua a usá-lo no auge da sua carreira. Porquê? Porque tem segurança no que faz e sabe que o merece. Não porque é reconhecido. Mas porque conquistou essa segurança. Porque sabe liderar uma cozinha: sabe comunicar e tratar os outros de forma humana. E não há melhor conquista e auto-satisfação de se saber quais os ingredientes certos: são os valores humanos. Porque na Nutrémia falamos para além das calorias®!

Teresa Campos, Nutricionista e Diretora da Nutrémia, Clínica de Nutrição e do Comportamento

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