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Pão, pão, queijo, queijo

São inúmeras as expressões idiomáticas que se inspiram em alimentos ou no ato de comer. Diria, pois, que até elas se inspiram no mundo da nutrição! “Pão, pão, queijo, queijo” é uma delas e mostra bem a clareza que quer significar. Trago-a, primeiro, ao momento de uma consulta: de forma objetiva, as questões são colocadas para recolher a informação necessária e, escuto para ouvir tal e qual o que me é dito. Nada é deduzido. Há perguntas que são necessárias numa primeira consulta e, há outras que são necessárias no desenvolvimento da relação terapêutica de nutricionista-paciente para que se compreendam aspetos e se oriente a pessoa da melhor forma. Pela escuta e pela sensibilidade, aceitamos quando há respostas que não nos querem ser dadas ou que não sabem ser dadas porque nem sempre é possível explicarmos quais os ganhos de benefícios reconhecidos ou, as condicionantes ao processo. Mas é nesta aceitação e nesta espera, que, “pão, pão, queijo, queijo”, se vai clarificando e encontrando espaço para a adesão ao plano alimentar.

Na prática do exercício de uma profissão, quer nas competências generalistas quer nas competências especializadas, vemos também esta clareza. Deve haver objetividade em cada e, ainda, na transitoriedade das suas abordagens ou do uso dos conhecimentos a que lhes pertencem. Uma não funciona sem a outra porque só com os conhecimentos do “todo” podemos tratar cada “parte”. Um exercício especializado deve ser também franco porque se pode provar que é e dá garantias. “Pão, pão, queijo, queijo” para distinguirmos o que é um acompanhamento especializado, sem com isso querer dizer que é desconhecedor ou que pode ser desconhecedor do “todo”!

No contexto das relações – pessoais ou profissionais, trazendo também esta expressão, podemos confundi-la com intransigência e usá-la com hostilidade, mas isso só se lhe dermos esse sentido e, se for esse o sentido que damos à vida e às relações. “Pão, pão, queijo, queijo” é simplesmente, aqui, a distinção de desempenhos e, a comunicação dos intercâmbios desejados para o sucesso e felicidade conjunta. Pode ser, ainda, taxativamente, o momento em que, sentados, pedimos para passar o “pão” e o “queijo” ou, em que estamos a separar alimentos que vão servir como provisões para um belo piquenique entre pessoas ou, em equipa!

É com clareza e com tempo, que se vai revelando uma maturidade e segurança que se propõem, continuamente, a crescer. “Quem é capaz de esperar, supera todo o desempenho e os seus êxitos.” (Heidegger) e encontram-se sintonias que servem, prazerosamente, a todas as partes para compor o “uno”.

É nestes diferentes contextos, em que num especialista, se distingue um aspeto que o diferencia do generalista: objetivamente procura exercer com “autonomia” e procura que o outro alcance a sua autonomia. Enquanto nutricionista e profissional de saúde, costumo dizer que não é esperado que a pessoa seja acompanhada para sempre em consultas. Existe uma meta e uma condução do processo. Tudo o que não cultiva a autonomia no outro, condiciona ou quer a “liberdade” do outro para si. Porque na Nutrémia falamos para além das calorias®.

Teresa Campos, Nutricionista e Diretora da Nutrémia, Clínica de Nutrição e do Comportamento

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