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Os sintomas físicos da ansiedade

A ansiedade é uma resposta natural do organismo a situações de stress ou perceções de ameaça, sendo uma emoção essencial para a nossa sobrevivência. No entanto, quando esta resposta se torna constante, intensa ou difícil de gerir, pode comprometer seriamente o bem-estar e a qualidade de vida da pessoa. Um dos aspetos muitas vezes desvalorizado, mas bastante relevante, é a forma como a ansiedade se manifesta no corpo. É importante compreender que a ansiedade não é apenas uma experiência emocional, ela manifesta-se a nível físico, com sintomas reais e, por vezes, incapacitantes.

Quando a mente se encontra em estado de alerta, o corpo responde com um conjunto de alterações fisiológicas automáticas, desencadeadas pelo sistema nervoso simpático. Esta ativação prepara-nos para a chamada resposta de “luta ou fuga” e envolve a libertação de hormonas como o cortisol e a adrenalina. Embora este mecanismo seja protetor em situações pontuais, quando a ansiedade se torna crónica, este estado de ativação mantém-se por períodos prolongados, provocando sintomas físicos persistentes.

Entre os sintomas físicos mais frequentes da ansiedade encontram-se as palpitações e a tensão muscular, especialmente ao nível do pescoço, ombros e costas, provocando dores e rigidez. A respiração tende a tornar-se superficial ou acelerada, gerando sensação de falta de ar ou aperto no peito. Outros sinais incluem fadiga constante, mesmo sem grande esforço, dificuldades no sono, tonturas e sudorese excessiva, mesmo em situações de baixa exigência física.

Estes sintomas, apesar de físicos, têm origem no funcionamento emocional e psicológico, sendo muitas vezes confundidos com doenças físicas. Este fator leva as pessoas a procurar repetidamente explicações médicas ou exames clínicos, sem resultados conclusivos, o que pode aumentar a frustração e a própria ansiedade. Compreender esta ligação entre corpo e mente é essencial para promover um olhar mais integrado sobre a saúde.

A intervenção psicológica, especialmente com base na Terapia Cognitivo-Comportamental, tem demonstrado ser eficaz na gestão da ansiedade. Através da psicoeducação, da aprendizagem de técnicas de relaxamento, da reestruturação de pensamentos disfuncionais e da promoção de estratégias de regulação emocional, é possível reduzir significativamente os sintomas físicos e recuperar o equilíbrio do organismo. Além disso, quando articulada com outras áreas como a prática regular de exercício físico, o autocuidado e massagens, bem como outros hábitos de vida saudáveis, a intervenção torna-se ainda mais eficiente e ajustada às necessidades de cada pessoa.

Os sintomas físicos da ansiedade não devem desvalorizados pois são uma forma do corpo comunicar que algo precisa de atenção. Ouvir estes sinais com empatia e procurar apoio profissional pode ser o início de um caminho de maior bem-estar e qualidade de vida.

Catarina Cação Pereira, Psicóloga e Coordenadora da Valência de Psicologia e Desenvolvimento pessoal da Nutrémia.

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