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A informação, por si só, muda comportamentos?

Vivemos numa época em que a informação sobre alimentação e saúde está disponível em praticamente todo o lado. Um simples acesso à internet permite encontrar milhares de recomendações, receitas, planos alimentares e conselhos sobre estilos de vida. Apesar disso, continuam a existir dificuldades em adotar e manter hábitos saudáveis. Esta realidade obriga-nos a refletir sobre uma questão importante: será que informar é suficiente para promover mudanças? Na nossa experiência, a resposta é não.

Conhecer não significa conseguir aplicar

Saber que é importante consumir mais produtos hortofrutícolas, reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados ou praticar atividade física regular não garante que essas recomendações se traduzam em comportamentos consistentes.

As escolhas alimentares resultam da interação entre conhecimento, contexto familiar, rotinas, emoções, recursos disponíveis, experiências anteriores e motivação para a mudança. É precisamente por isso que a Educação para a Saúde não pode limitar-se à transmissão de informação. O verdadeiro desafio consiste em ajudar cada pessoa a compreender como integrar esse conhecimento na sua realidade quotidiana.

A aprendizagem também acontece fora da consulta

Na Nutrémia, a Educação para a Saúde faz parte de todas as consultas. No entanto, reconhecemos que existem aprendizagens que beneficiam de outros contextos, outras dinâmicas e outras formas de participação.

Foi esta convicção que levou à construção, ao longo dos anos, de um conjunto de iniciativas dirigidas a diferentes públicos, como workshops, showcookings, oficinas, semanas temáticas, caminhadas, ações em escolas, empresas e instituições, bem como artigos e outros conteúdos de divulgação. Embora distintas entre si, todas estas iniciativas partilham o mesmo objetivo: criar oportunidades para compreender, experimentar, questionar e refletir.

Intervir também significa adaptar

Cada intervenção parte de uma necessidade concreta. As atividades dirigidas a crianças e adolescentes procuram promover uma relação positiva com a alimentação desde os primeiros anos de vida. As ações desenvolvidas em empresas respondem a desafios específicos do contexto laboral. Nas Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas (ERPI), a intervenção centra-se frequentemente na prevenção da desnutrição, da desidratação, da sarcopenia e na capacitação das equipas cuidadoras. Os objetivos mudam. Os públicos também.

O princípio, porém, mantém-se: adaptar a intervenção às necessidades reais das pessoas, em vez de aplicar a mesma estratégia em todos os contextos.

A monitorização também faz parte da Educação para a Saúde

Uma atividade não termina quando termina a sessão. Importa perceber se a mensagem foi compreendida, se gerou reflexão, se motivou alterações de comportamento e que aspetos poderão ser melhorados em futuras intervenções. Esta avaliação contínua permite aperfeiçoar metodologias, adaptar conteúdos e responder de forma mais adequada às necessidades identificadas. Também na Educação para a Saúde, aprender faz parte da intervenção.

Educar é construir autonomia

A Educação para a Saúde não pretende substituir a capacidade de decisão das pessoas. Pretende fornecer conhecimento, desenvolver pensamento crítico e criar condições para que cada pessoa possa tomar decisões mais informadas, mais conscientes e mais ajustadas à sua realidade. Mais do que transmitir respostas, procura ajudar a construir critérios.

Talvez seja essa a maior responsabilidade de quem trabalha em saúde: reconhecer que a mudança raramente acontece porque alguém ouviu uma recomendação. Acontece quando essa recomendação passa a fazer sentido na vida da pessoa, encontra espaço para ser experimentada e se transforma, gradualmente, num novo hábito.

Teresa Campos

Nutricionista e Diretora da Nutrémia, Clínica de Nutrição e do Comportamento & Loja biológica

Falamos para além das calorias®.

Artigo científico recomendado

Nutbeam D. Health literacy as a public health goal: a challenge for contemporary health education and communication strategies into the 21st century. Health Promot Int. 2000;15(3):259-67.

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