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O laboratório responde apenas às perguntas certas

É relativamente frequente ouvir afirmações como: “A albumina está baixa porque a pessoa está desnutrida”. Ou: “O colesterol aumentou. A alimentação piorou”. À primeira vista, parecem interpretações simples. O problema é que, em Medicina e Nutrição Clínica, raramente um marcador laboratorial tem um único significado. O mesmo resultado pode refletir processos fisiológicos completamente diferentes.

O contexto vem antes do resultado

Os marcadores bioquímicos são instrumentos extremamente úteis. Mas nenhum deles deve ser interpretado isoladamente. Um valor analítico só ganha significado quando integrado na história clínica, no exame objetivo, na avaliação nutricional, na presença de inflamação, infeção, doença hepática, terapêutica instituída e evolução clínica. É precisamente esta integração que distingue um resultado laboratorial de uma decisão clínica.

Nem tudo o que diminui significa défice

Durante muitos anos, proteínas como a albumina foram utilizadas como marcadores do estado nutricional. Hoje sabemos que a realidade é bastante mais complexa. A albumina é uma proteína de fase aguda negativa. Na presença de inflamação, a sua concentração diminui independentemente da ingestão proteica. Por esse motivo, um valor baixo de albumina não permite, por si só, diagnosticar desnutrição. Da mesma forma, a sua normalização não significa necessariamente recuperação nutricional.

Nem sempre um aumento do colesterol significa agravamento clínico.

O colesterol é frequentemente associado ao risco cardiovascular. No entanto, em pessoas com desnutrição grave ou doença crónica, valores muito baixos podem refletir um estado metabólico profundamente alterado. Quando ocorre recuperação nutricional sustentada, é possível observar um aumento gradual do colesterol plasmático. Neste contexto, esse aumento não representa necessariamente um agravamento do risco cardiovascular. Pode simplesmente traduzir a recuperação do metabolismo lipídico e do estado nutricional.

O mesmo marcador laboratorial assume, assim, significados completamente diferentes conforme o contexto clínico.

O raciocínio clínico continua a ser insubstituível

A prática clínica não consiste em decorar valores de referência. Consiste em compreender aquilo que esses valores representam em cada pessoa. É por isso que a avaliação nutricional integra informação clínica, antropométrica, alimentar, funcional e laboratorial. Nenhum destes elementos é suficiente isoladamente. É a sua integração que permite formular um diagnóstico e definir uma intervenção adequada.

Talvez seja essa uma das maiores diferenças entre conhecer um marcador bioquímico e saber utilizá-lo na prática clínica. Porque o laboratório fornece resultados. O raciocínio clínico é que lhes dá significado.

Teresa Campos

Nutricionista e Diretora da Nutrémia, Clínica de Nutrição e do Comportamento & Loja biológica

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Leitura recomendada

Fuhrman MP, Charney P, Mueller CM. The albumin-nutrition connection: separating myth from fact. JPEN J Parenter Enteral Nutr. 2002;26(6 Suppl):S17-S22.

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