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Sobre a dor abdominal de novo: a insistir

A abordagem que mais reconhecemos no atendimento de casos de dor abdominal, que já foi assunto num artigo anterior, aqui no blog da Nutrémia, leva-nos a discutir igual desvalorização de outros sintomas e sinais como: a flatulência que corresponde ao aumento do volume de gases intestinais; a eructação que corresponde ao arroto; a própria obstipação (“prisão de ventre”) cuja definição e tratamento são pouco explicados ao paciente; e a diarreia que não é devidamente tratada no seu desfecho uma vez que as depleções de eletrólitos e a má absorção de nutrientes que resultam do quadro clínico devem ser intervencionadas para a devida recuperação do estado nutricional do paciente, mesmo após o término da manifestação da diarreia.

Verifica-se, ainda, que na evolução de determinadas doenças, umas acabam por ser, em si, fatores de risco para o desenvolvimento de outras, quando não tratadas e, outras relacionam-se pela evolução do quadro clínico. Acrescenta-se o facto de, na presença de algumas, o risco para o desenvolvimento de cancro do estômago ou de outro órgão do sistema gastrointestinal sair aumentado.

A par destas doenças, a análise de fatores modificáveis é primordial uma vez que podem estar a promover o seu desenvolvimento e, entre eles, encontramos os hábitos alimentares, o hábito tabágico e a toma regular de determinados fármacos que podem até não estar a ser devidamente monitorizados. A indicação de dor ou desconforto abdominal deve ser, por isso, valorizada e merecedora de uma anamnese completa, com o levantamento dos hábitos alimentares, identificação dos momentos do dia em que se intensifica e se a pessoa associa a outros fatores bem como o registo de quaisquer dados que permitam um melhor diagnóstico e a identificação da sua etiologia.

Não podemos ainda esquecer que, por enquanto, que a dor persiste, há geralmente uma resposta comportamental de inibição de apetite o que vai condicionar a satisfação das necessidades energéticas e nutricionais, promover défices nutricionais e colocar em causa a própria recuperação do organismo. Além demais, uma perda de peso pode ainda ser um sinal que acompanhe alguns destes quadros clínicos porque a ingestão alimentar pode ou não estar alterada, mas estar a sua absorção diminuída. A dor ou desconforto abdominal é, sem dúvida, um sintoma que merece mais atenção e que bem auscultada, poderá ajudar na identificação de diagnósticos, no seu tratamento e, na sua prevenção. Porque na Nutrémia falamos para além das calorias®.

Teresa Campos, Nutricionista e Diretora da Nutrémia, Clínica de Nutrição e do Comportamento

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