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Gestão emocional das crianças na hora da refeição: quando comer se torna um desafio emocional

 

A hora da refeição, que poderia ser um momento tranquilo de partilha e ligação familiar, muitas vezes transforma-se num campo de batalha emocional entre pais e filhos. A criança que recusa comer, o prato que fica intocado, as lágrimas que aparecem e o adulto que, sem intenção, entra na mesma espiral de frustração. Mais do que uma simples resistência à comida, o que está em causa é, muitas vezes, uma dificuldade de gestão emocional, tanto da criança como dos pais.

Comer não é apenas um ato físico, é também um ato emocional. Para uma criança, a refeição envolve novas sensações, regras e expectativas. O sabor, a textura, o cheiro e até o ambiente à mesa podem despertar emoções intensas. Além disso, é durante as refeições que surgem muitas das primeiras experiências de controlo e autonomia. Dizer “não quero” pode ser a forma mais simples e honesta que a criança encontra para dizer “quero decidir por mim”.

A birra à mesa, portanto, raramente é apenas sobre comida. É sobre limites, autonomia e comunicação. Quando um adulto reage com irritação ou tenta forçar a criança a comer, o foco desloca-se da ligação emocional para a luta de poder. E, nesse momento, tanto o adulto como a criança perdem.

A regulação emocional é uma competência que se aprende com o tempo. O cérebro infantil ainda não tem a maturidade necessária para gerir frustrações da mesma forma que um adulto. Por isso, quando uma criança chora ou se recusa a comer, ela não está a manipular, está a comunicar uma emoção que ainda não sabe expressar de outra forma. Cabe ao adulto ser o modelo de calma, o tradutor das emoções que a criança ainda não compreende.

Quando o ambiente familiar é tranquilo e os adultos lidam com empatia e paciência, as crianças aprendem a reconhecer as suas próprias emoções e a lidar com elas de forma saudável. Comer deixa de ser um ato de resistência e passa a ser um momento de conexão.

Em alguns casos, quando as dificuldades à mesa se tornam persistentes como, por exemplo, recusa alimentar constante, ansiedade em relação à comida ou perda de peso, pode ser útil procurar o apoio de um psicólogo. Um olhar profissional ajuda a compreender o que está por trás do comportamento e a desenvolver estratégias adequadas para cada criança.

O mais importante é lembrar que o que realmente alimenta uma criança não está apenas no prato, mas também na relação que construímos com ela à mesa. Quando a refeição é vivida com calma, respeito e afeto, a criança aprende que comer é, acima de tudo, um ato de cuidado.

No próximo dia 28, às 18h30, a Nutrémia estará na Livraria Centésima Página a falar mais sobre esta temática. Apareça!

 

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