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Quando escolher bem não depende apenas da motivação – depende do contexto 

Na prática clínica, é frequente ouvir a mesma dificuldade:

“Eu sei o que devia escolher, mas depois não consigo aplicar no dia-a-dia.”

A alimentação não depende apenas do conhecimento nutricional. Depende também do contexto em que as escolhas são feitas, do tempo disponível, da organização da rotina, da facilidade de acesso aos alimentos e até da familiaridade que a pessoa tem com determinadas opções alimentares.

É por isso que, muitas vezes, conhecer recomendações não é suficiente para mudar comportamentos.

Saber que determinado alimento é nutricionalmente interessante não significa necessariamente saber escolhê-lo, prepará-lo ou integrá-lo nas refeições do quotidiano.

Um dos desafios mais frequentes observados em consulta está precisamente na dificuldade em transformar conhecimento em comportamento alimentar consistente.

A decisão alimentar acontece em contexto real: no supermercado, na despensa, perante rótulos, limitações de tempo, preferências familiares, hábitos instalados e dúvidas práticas.

É neste ponto que a educação alimentar precisa de ir para além da informação.

Na Nutrémia, esta reflexão levou ao reforço de dinâmicas práticas associadas à Loja Biológica e à Cooking Room, através de showcookings, workshops de culinária, provas de degustação e momentos de demonstração alimentar orientada.

O objetivo não passa apenas por recomendar alimentos, mas por aproximar as pessoas da experiência alimentar: compreender caraterísticas sensoriais, explorar diferentes formas de preparação, reconhecer sazonalidade, melhorar competências culinárias e refletir sobre escolhas alimentares mais ajustadas à realidade de cada pessoa.

Por vezes, pequenas mudanças no ambiente alimentar podem facilitar decisões mais consistentes do que recomendações teoricamente ideais, mas difíceis de integrar no quotidiano.

Porque escolher melhor nem sempre depende de mais informação – muitas vezes depende de tornar a escolha mais acessível, prática e possível.

Na prática da Nutrémia, isto implica reconhecer que a promoção de hábitos alimentares não se constrói apenas no consultório. Constrói-se também através da experiência, da demonstração, do contacto com os alimentos e da capacidade de transformar conceitos nutricionais em comportamentos aplicáveis à vida real.

Porque, em nutrição, nem sempre a mudança começa no plano alimentar. Muitas vezes, começa na forma como nos relacionamos com aquilo que escolhemos colocar no prato.

Teresa Campos
Nutricionista e Diretora da Nutrémia, Clínica de Nutrição e do Comportamento & Loja biológica

Artigo recomendado:

Hollands GJ, Marteau TM, Fletcher PC. Non-conscious processes in changing health-related behaviour: a conceptual analysis and framework. Health Psychol Rev. 2016;10(4):381-94

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