O que é Complementar?
“Complementar”, no dicionário da língua portuguesa, significa “tornar completo”. “Compreender” significa “abranger”. “Génese” exprime “a noção de origem ou produção”.
Há tarefas e pormenores, mesmo na preparação de alimentos e no momento de estar à mesa, que não valorizamos. Quando pensamos que, sem a sua presença, continuaria a ser possível usufruir deles de igual forma, diria que incorremos num engano. Podemos temperar os pratos com os frascos, dos supermercados, de azeite e de ervas aromáticas. Cozinhar sem avental. Beber um café no final da refeição sem o mexer. Mas quando queremos tornar a mesa mais bonita e melhorar o tempero do alimento durante a própria refeição, não nos sabe melhor um galheteiro e os moinhos de mesa? Quando queremos estar à vontade na cozinha ou, quando nos queremos sentir um género de Chef, um dos adereços a colocar desde logo não é o avental? Mesmo quando sabemos que não faz sentido querermos mexer um líquido no qual não adicionamos nenhum ingrediente que se dissolva, para quem tem este hábito, não sente que falta um passo que complementa aquele ritual?
Na construção de um projeto que se deseja consistente e duradouro, é importante respeitar a complementaridade, com valor, em que se apoiam e que mostra que foram, merecidamente, refletidos. No apoio que se presta na saúde deve ser igual. Não é reunir o standardizado e cumprir os padrões de atendimento suficiente. Depois, a complementaridade não deve esquecer que, na saúde, o principal beneficiado é o cliente. Não pode haver questões como “Mas se está integrado, qual é o benefício para vós?“. Resposta que remete para a génese do que é estar na saúde: “O benefício é querer compreender a sua saúde da melhor forma“.
Volto a trazer a afirmação de James C.Hunter que diz que o amor é também um comportamento. Trago outra de Simon Sinek, autor que diz que “para aqueles que se sentem inspirados, a motivação para agir é profundamente pessoal”. A entrega com que nos damos a um projeto, a uma consulta e a um cliente – seja ele uma pessoa, empresa ou um agente da sociedade (como a Cultura!), não será a combinação mais do que provável de querermos satisfazer o nosso eu altruísta? É o “interesse” de beneficiar o que nos envolve. Enquanto profissional de saúde, o que me traz mais felicidade e realização é permitir-me a realizar a harmonização do meu “eu” ao “amor” que é aquele comportamento para com o próximo. Também o dicionário português dá como um dos significados à palavra “complementar”, “à cor que, junta a outra, forma a cor branca”. E, com o branco não está presciente a sensação de harmonia? Portanto, o avental na preparação dos alimentos preenche bem a harmonia do ambiente que, até pode ser aparentemente de confusão, entre tábuas de trabalho, ingredientes e panelas, mas que será daí que resultará um prato que nos dará conforto! Um galheteiro e uns moinhos de mesa harmonizam, sim, uma mesa, junto das suas travessas, e onde se vão reunir bons convidados que estarão à mesa para escutarem o outro e partilharem mais de si. Mexer um café é, também, em si, uma forma de darmos mais de nós àquele presente que vivemos. Numa consulta de nutrição fala-se para além das calorias.
Teresa Campos, Nutricionista e Diretora clínica da Nutrémia, Clínica de Nutrição e do Comportamento

