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O exercício físico também faz parte do tratamento da diabetes tipo 1

Este artigo resulta da adaptação de um conteúdo originalmente publicado no Jornal Viral, no âmbito da colaboração da Nutrémia com aquele órgão de comunicação social.

Quando se fala em diabetes mellitus tipo 1, é frequente pensar-se imediatamente na insulina, na monitorização da glicemia e na alimentação. Todos estes elementos são essenciais para o controlo da doença. No entanto, existe um quarto pilar que, apesar de amplamente recomendado pelas principais orientações internacionais, continua muitas vezes a ser subvalorizado: o exercício físico.

Longe de constituir apenas uma estratégia para melhorar a condição física, o exercício influencia diretamente o controlo glicémico, a composição corporal, a saúde cardiovascular e o bem-estar psicológico. Quando integrado num plano individualizado, torna-se uma ferramenta terapêutica capaz de melhorar a qualidade de vida das pessoas que vivem com diabetes tipo 1.

Mais do que gastar energia

Durante a atividade física, os músculos aumentam a utilização de glicose para produzir energia e tornam-se mais sensíveis à ação da insulina. Este efeito contribui para uma utilização mais eficiente da glicose e pode facilitar o controlo glicémico nas horas que se seguem ao exercício.

Além dos efeitos metabólicos, a prática regular de exercício físico melhora a aptidão cardiorrespiratória, ajuda a preservar ou aumentar a massa muscular, favorece uma composição corporal mais saudável e reduz fatores de risco associados à doença cardiovascular.

Os benefícios estendem-se igualmente à saúde mental, contribuindo para a redução do stress, melhoria do humor, da qualidade do sono e da perceção de bem-estar.

Nem todos os treinos produzem a mesma resposta

A resposta da glicemia ao exercício depende de vários fatores, entre eles o tipo de atividade, a intensidade, a duração, o horário em que é realizada e a quantidade de insulina em circulação.

Os exercícios aeróbicos, como caminhar, correr, pedalar ou nadar, tendem a favorecer uma diminuição da glicemia durante e após o esforço. O treino de força, por sua vez, promove adaptações importantes ao nível da massa muscular e da sensibilidade à insulina, sendo igualmente recomendado. A combinação destas diferentes formas de exercício é, atualmente, considerada uma das estratégias mais completas para promover saúde e melhorar o controlo metabólico.

Exercício também exige planeamento

Apesar dos seus benefícios, a prática de exercício físico requer alguns cuidados específicos. A monitorização da glicemia antes, durante e após o treino permite identificar precocemente situações de hipoglicemia ou hiperglicemia e ajustar a estratégia sempre que necessário.

Em determinadas circunstâncias, poderá ser necessário adaptar a ingestão de hidratos de carbono, ajustar a dose de insulina ou modificar a intensidade do treino. Da mesma forma, valores muito elevados de glicemia acompanhados por cetose constituem uma situação em que o exercício deve ser adiado até existir estabilidade metabólica. Mais do que impor restrições, estas medidas procuram garantir que o exercício decorra de forma segura.

Uma abordagem verdadeiramente interdisciplinar

A personalização do exercício físico não depende apenas da condição física da pessoa. A alimentação, o esquema terapêutico, os objetivos clínicos, a experiência prévia com atividade física, a rotina diária e os sistemas de monitorização utilizados influenciam a forma como cada organismo responde ao treino.

É por isso que a articulação entre médico, nutricionista e profissional de exercício físico assume um papel determinante. A integração destas diferentes áreas permite ajustar, de forma coordenada, a alimentação, a terapêutica e o plano de treino, promovendo uma intervenção mais segura, eficaz e adaptada à realidade de cada pessoa.

O melhor treino é aquele que pode ser mantido

Não existe um horário universalmente ideal nem um plano de treino válido para todas as pessoas com diabetes tipo 1. O melhor programa será sempre aquele que respeita os objetivos, as preferências, a condição clínica e o estilo de vida de cada indivíduo. Mais importante do que procurar um treino perfeito é conseguir integrar o exercício físico de forma regular e sustentável no dia a dia.

Na diabetes tipo 1, o exercício não substitui a insulina nem a alimentação. Complementa-os. E é precisamente esta integração entre terapêutica, alimentação e movimento que permite construir um controlo metabólico mais consistente e uma melhor qualidade de vida.

Simão Rodrigues

Personal trainer da Nutrémia, Clínica de Nutrição e do Comportamento & Loja biológica

Artigo científico recomendado

Colberg SR, Sigal RJ, Yardley JE, Riddell MC, Dunstan DW, Dempsey PC, et al. Physical activity/exercise and diabetes: A position statement of the American Diabetes Association. Diabetes Care. 2016;39(11):2065-79.

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